Por Jacson Lusa
Que não podemos mudar nossa personalidade eu já imaginava e encontrei, nas teorias, algum embasamento para validar minha forma de pensar. Foi lendo um pouco sobre comportamento e inteligência emocional que vi a oportunidade para conhecer um pouco mais da minha mente.
Ainda era pequeno quando fui com a minha turma do colégio até ao parque da EFRICA, em Passo Fundo, visitar a feira conhecida como Amostra de Pequenos Animais. Para essa aventura a Vó Chica me deu R$10,00. Naquela época esse valor representava algo em torno de R$100,00 em poder de compra nos dias atuais.
Ao chegar na feira me deparei com tantas opções para “investir” esse dinheiro, salgadinhos, doces, picolés, brinquedos, enfim, um universo de possibilidades, mas ainda tinha que almoçar, tomar água e a minha verba, embora fosse bastante para um menino, se tornou pouca diante de tudo que eu queria.
Minha cabeça de criança não teve tempo de processar tudo aquilo em tempo hábil. Era muito bom pra ser verdade e eu não poderia perder a oportunidade de aproveitar tudo. Gastei todo meu dinheiro ainda antes do almoço. Minha professora pagou meu almoço, e provavelmente esse foi um dos dias mais incríveis da minha vida, tanto que lembro dele até hoje e com muita vontade de voltar e fazer tudo de novo.
Quem arriscaria hoje a dizer que eu estava errado, que devia ter guardado o dinheiro para o almoço?
Hoje, cerca de trinta anos depois, sinto-me exatamente como aquele menino, tentando viver as oportunidades e os sonhos que a vida me apresenta. Muitas vezes queria ser igual aquele piá e viver sem calcular o risco, tomar três taças de vinho ao invés de duas, fazer a viagem dos sonhos mesmo sem toda a grana necessária…
Tudo aquilo que decidimos por instinto, faz parte da nossa essência e tem um valor que só nos daremos conta depois de termos vivido ou perdido de viver. Não defendo que tenhamos que ser irresponsáveis com a vida, mas a minha experiência mostrou que as melhores coisas que vivi aconteceram de forma natural, seguindo meus instintos e sentimentos.
No fundo, creio que podemos mudar nosso modo de pensar e de agir, mas não conseguimos mudar o que sentimos: o coração. Temos um certo controle sobre nossa mente, mas nosso coração tem poder grandioso sobre nossas decisões. É o que chamam de guerra entre a razão e o coração. Mas quando o cérebro se junta com o coração, a vida acontece sem que a gente consiga controlar.
Na dúvida viva, porque por mais que a vida dê voltas pode ser que da próxima vez que se deparar com a mesma oportunidade a sensação já não tenha a mesma intensidade. Sem contar que essa oportunidade pode não voltar a acontecer.


