Por Samira José Turconi
Encontramos, em nosso caminho, adversidades, ingratidões, injúrias, tristezas e decepções que, às vezes, em momentos de desespero, chegamos a questionar a justiça do Pai, por permitir que tão intensas tempestades se abatam sobre nós. Entretanto, a mente prudente, que reflete e busca na humildade a iluminação interior, reconhece em si, a sementeira inconsequente de outrora, como única responsável pela colheita infrutífera do hoje. E, a partir de então, passa a buscar a reeducação dos valores que há muito residem em seu foro pessoal, busca o CONHECIMENTO DE SI MESMO. Descobre que não há dificuldades, mas oportunidades. Que ofensas não existem, mas incompreensão de nossa parte, em relação a quem ofende, por ainda sentirmo-nos ofendidos. Que melhor que criticar é educar.
Já sabemos que estamos encarnados para aprendermos alguma coisa nova e para corrigirmos as imperfeições de nosso caráter, e a melhor maneira de corrigirmos os nossos defeitos é fazendo um cuidadoso estudo de nós mesmos. Porém sabemos que esse despertar espiritual só ocorre após muito trabalho; pois, como a Ciência nos ensina, a natureza não dá saltos. Na verdade, precisamos estudar nosso caráter, descobrirmos quais são os nossos defeitos, para tentar corrigi-los. Somente conhecendo quem somos é que poderemos melhorar. Como podemos julgar os outros, e normalmente o fazemos, se somos as pessoas que menos nos conhecemos?
O autoconhecimento dá, à criatura, sabedoria suficiente para que saiba julgar a si própria — pré-requisito para poder entender os outros. O autoconhecimento é gradativo e deve ser exercitado ao longo de toda a nossa existência. Muitas vezes, se torna um processo doloroso, em outras, se torna uma estrada repleta de paz e alegria, mas, de qualquer forma é indispensável para que se efetive a evolução espiritual.
COMO INICIAR O TRABALHO DE ILUMINAÇÃO DA NOSSA PRÓPRIA ALMA? Esse esforço individual deve começar com o autodomínio, com a disciplina dos sentimentos, com o trabalho silencioso, por exterminar nossas próprias paixões. O homem que se ilumina, através do autoconhecimento, conquista a ordem e a harmonia para si mesmo. E, em se tratando de iluminação espiritual, não existe fonte alguma além da exemplificação de Jesus, no Seu Evangelho de Verdade e Vida. Aquele que se conhece sabe de quais recursos se pode utilizar para o desempenho das tarefas e funções que lhe cumpre executar, aceitando-as como parte do processo existencial, no qual está inserido. Essa compreensão dá-lhe dignidade, enriquecendo-o com entusiasmo a cada conquista, como perspectiva da próxima vitória. Se identifica fragilidade num ou noutro ângulo do caráter e da personalidade, direciona suas resistências morais nesse rumo e fortalece-se. Errando, não se lamenta, porquanto aprendeu como fazer noutra ocasião. Não anuindo ao desequilíbrio, igualmente não se culpa por ele, nem a ninguém porque descobre o valor da aprendizagem que ocorre. Acertando, não se envaidece, pois sabe que longo é o caminho pela frente. O homem que se conhece possui um tesouro no coração.
O crescimento interior é, definitivamente, a grande meta a que devem aspirar todos os seres humanos. Todos nós estamos fadados à perfeição. Um direito que nos foi outorgado pela própria fatalidade divina. Um dia todos nós seremos anjos!


