Por Flávio Green Koff| Advogado com pós-graduação Lato Sensu em Gerente de Cidade – “City Manager”, pela Fundação Armando Álvares Penteado, concluída em 2002.
No coração da Serra Gaúcha, onde a paisagem ondulada abraça vinhedos e memórias, o Município de Garibaldi prepara-se para mais um encontro com sua própria essência. Nos dias 10, 11 e 12, o Centro Histórico — guardião silencioso de histórias e afetos — transforma-se em cenário vivo de tradição, tendo como moldura a imponente Igreja Matriz de São Pedro, cuja presença acompanha gerações e testemunha a permanência da fé, da cultura e da identidade local.
É nesse ambiente que se realiza o Festival do Grostoli, celebração que transcende o simples ato de saborear uma iguaria. O grostoli — dourado, leve, delicadamente envolto em açúcar — carrega consigo mais do que sabor: carrega história. Sua origem remonta às tradições italianas trazidas pelos imigrantes que, ao chegarem à Serra Gaúcha, encontraram na culinária uma forma de preservar vínculos com sua terra de origem. Adaptado ao novo território, o doce manteve sua essência, tornando-se símbolo de continuidade cultural.
Ao percorrer o Centro Histórico durante o festival, o visitante experimenta mais do que um evento gastronômico: vivencia uma atmosfera. O aroma do grostoli recém-preparado se mistura ao som dos passos nas ruas, às vozes que ecoam com sotaque herdado, à musicalidade que resiste ao tempo. A cidade revela-se em camadas — arquitetônica, cultural, emocional — convidando a uma imersão que ultrapassa o presente.
Há, ainda, um simbolismo particular nesse encontro entre a iguaria e o espaço que a acolhe. Diante da igreja, ponto central da vida comunitária desde os primórdios, o festival assume também um caráter de reunião coletiva, reafirmando laços e celebrando pertencimento. Não se trata apenas de recordar o passado, mas de reafirmá-lo no presente, garantindo sua continuidade nas próximas gerações.
O Festival do Grostoli, portanto, não é apenas uma festividade. É expressão concreta de uma herança que permanece viva. Entre o doce sabor da tradição e a solidez das construções históricas, evidencia-se uma identidade construída com trabalho, fé e memória.
Neste fim de semana, a cidade abre suas portas não apenas para receber visitantes, mas para oferecer uma experiência sensorial e afetiva. Ao provar o grostoli, não se experimenta apenas um doce: experimenta-se a história de um povo que encontrou, na simplicidade dos gestos e na força das tradições, a forma mais genuína de permanecer.


