Por Samira José Turconi |Bioquímica, sócia-fundadora da Associação Médico-Espírita da Serra Gaúcha, do Centro Espírita Allan Kardec e expositora da Doutrina Espírita.
O título acima representa a pergunta que Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, efetuou aos Espíritos superiores em “O Livro dos Espíritos”, em 1857; obtendo como resposta que sim, que a sociedade ficará livre dos homens maus;, pois “a Humanidade progride e esses homens dominados pelo instinto do mal, e que se encontram deslocados das pessoas de bem, desaparecerão, pouco a pouco, como o mau grão se separa do bom depois que este é selecionado.” (Q-756)
A proposta divina da reencarnação é o melhoramento moral dos homens. Para que isto ocorra, surgem provas dos mais diferentes matizes para que o ser humano desenvolva as potencialidades de suas virtudes que se encontram ainda em germen desde a criação divina. Porém, muitos extraviam-se porque, enceguecidos pelo orgulho, arrastados pela ambição, não veem a rota única que pode conduzir a esse melhoramento: buscam-no na satisfação de seu orgulho, de seus instintos brutais, de sua ambição desmedida, ao passo que só podem achá-lo no amor e na submissão das Leis de Deus, ensinadas e vivenciadas por Jesus.
A humanidade da Terra é constituída de Espíritos muito imperfeitos, principalmente na distância entre o desenvolvimento intelectual e moral. Uma das suas características é a heterogeneidade de pensamentos, de prioridades, de filosofias, de estratégias do viver, temperamentos, caracteres, usos e costumes, diferenças muitas vezes antagônicas, provocadas pelo livre-arbítrio de cada um, que dificultam o relacionamento entre si.
O Espiritismo nos explica que a nossa sorte futura está em nossas mãos; que a duração das nossas provas depende inteiramente de nós, que os nossos erros ou equívocos serão sanados pois teremos a oportunidade de refazer tudo que fizemos de errado e assim seguirmos em nosso progresso moral.
A Doutrina Espírita, na mesma obra citada, nos esclarece: “o fator que torna maus os homens é o seu abandono à ação dos instinstos animais e como não têm outras necessidades do que as da vida do corpo, visam somente a sua conservação pessoal e é isso que os torna, geralmente, cruéis.”(Q 753).
Assim, nesses choques, consequentes dessas diferenças entre os homens bons e maus, a Terra oferece condições favoráveis ao aperfeiçoamento moral de cada um, embora essas condições gerem situações que possam ser dolorosas muitas vezes.
O importante é que, em tudo que se faça, haja o sentimento do bem, da pureza de intenções, com discernimento e bom-senso, de forma a não prejudicar ninguém. O homem pode participar das alegrias e prazeres humanos, sem ser escravizado por esses prazeres estando sempre com a mente e o coração voltados para o bem. Mesmo em um mundo de expiações e de provas, pode o homem sentir-se feliz, mantendo seus propósitos de sentir, pensar e fazer somente o bem. E quando tiver agido em erro, que a própria consciência lhe assinala, poderá acionar a sua vontade, como potência da alma para o arrependimento e reparação, orando, tendo a certeza do amparo divino.
Quando Jesus disse aos seus Apóstolos “Sede perfeitos”, ele sabia das dificuldades humanas, mas sabia também, que somente nas lutas da vida em mundos materiais, pode o Espírito imortal, pela sua destinação divina da perfeição, fazer seu progresso moral, através das experiências, no desenvolvimento da inteligência e da moralidade, sempre com o amparo dos Espíritos protetores.
Jesus indicou o modo como atingir essa perfeição: exercitando a caridade sem quaisquer limites, uns para com os outros, o que está ao alcance de todos, pobres e ricos, ignorantes e instruídos. Essa caridade que está ancorada no pensamento do Mestre: benevolência para com todos, indulgência para com as faltas alheias e perdão das ofensas.


