Por Jácson Lusa | Tradicionalista, poeta, pesquisador, comunicador de rádio e cursando bacharelado em Administração
Se tem alguém que me ensinou muito sobre a vida ao lidar com a terra, esse alguém foi meu pai. Muito mais que cultivar, ele me ensinou que para manter o campo ou a lavoura limpa, isenta de inço, era preciso dedicação e capricho.
Ao escrever esse texto revivo memórias de um bom tempo vivido em sua companhia, e que muitas vezes eu não o entendia. Sempre questionei o porquê, enquanto os demais agricultores da minha comunidade limpavam a plantação uma vez durante a safra, meu pai exigia que na nossa lavoura essa tarefa fosse feita duas ou três vezes.
Enquanto o milho crescia, cresciam junto com ele as ervas daninhas, ou inço, como chamávamos. E então o pai passava o arado entre a plantação para arrancar as ervas daninhas e assim fortalecer o milho. Depois voltávamos a entrar na lavoura, dessa vez com a enxada, para arrancar as ervas que porventura tivessem ficado ilesas ao arado. E se ainda persistem algumas ervas não era de se receber com espanto que meu pai tomasse a decisão de voltar para evitar que essas ervas se proliferassem no ano seguinte.
De fato as lavouras de meu pai sempre foram exemplo para os demais. Sempre limpas, sempre bem produtivas, era lindo ver suas plantações. Lembro de inúmeras vezes ter ouvido de outras pessoas que era exagero o capricho dele, mas também foram inúmeras as vezes que escutei elogios. Meu pai nunca se deixou levar por comentários, nem pelos elogios, nem pelas críticas, muito pelo contrário, sempre inerte diante do que os outros falavam continuava a fazer a sua plantação da maneira que achava correto.
Hoje li, em uma revista, uma frase atribuída a Confúcio que diz: “Não são as ervas daninhas que sufocam a boa semente, e sim a negligência do lavrador”
Certamente meu pai não leu esses provérbios de Confúcio, mas a vida o tornou caprichoso com suas plantações porque seu propósito era sempre fazer a sua parte da melhor forma possível para que a colheita fosse a melhor possível. Apesar de ser um homem de muita fé, ele nunca deixara sua lavoura apenas à mercê da sorte ou da bondade de Deus, ele fazia a sua parte muito bem feita. Assim como na lavoura, tudo o que meu pai decidia fazer era com muito capricho. Nunca foi um homem que fazia de “qualquer jeito”.
A vida nos mostra, diariamente, que independente do ambiente, do trabalho, da profissão, as ervas daninhas sempre existirão e dependerá muito de nosso empenho fazer com que as sementes que plantamos germinem e tenham condições de renderem frutos. Não será o suficiente fazer uma boa plantação, pois se formos negligentes com os “inços” vamos permitir que nosso sucesso seja afetado. Muitas vezes, irão criticar nossas decisões. Haverá, certamente, elogios em algum momento, mas tanto um quanto o outro precisam ser recebidos, mas não serão determinantes para que deixemos de fazer a nossa parte.


