Por Jacson Lusa – Tradicionalista, Poeta, Pesquisador, Comunicador de Rádio, Cursando Bacharelado em Administração
Em tempos de guerras, é muito fácil construir na mente aquela cena de filme de pessoas correndo e bombas explodindo… O cenário de um campo minado é apenas uma ilustração ao tema que proponho para a leitura de hoje. Nada de guerra, sou totalmente contra a ideia de irmão lutando contra irmão para “conquistar” algo.
Provoco a vossa imaginação com o único objetivo de que entendas o cenário que quero ilustrar. Evoco para tanto, lembranças de infância, para com isso lhes contar de uma das brincadeiras comuns daqueles tempos. Brincadeiras, que hoje passam a fazer sentido para tantas situações a que somos submetidos.
Imaginem várias crianças entrando em um pântano – na minha região era conhecido como banhado – procurando lugares onde a terra está mais firme para pisar e não afundar… Nem todas conseguem atravessar sem que suas pernas se afundem até o joelho na lama. Obviamente que o primeiro a tentar precisará de mais sorte, ao passo que os demais já terão algumas opções de lugares testados. Onde alguém já afundou, o próximo evitará de pisar, mas muitas vezes, as outras opções de lugares também guardam segredos…
Escolher onde pisar, portanto, se tornava um desafio para quem quisesse chegar ao outro lado. Mas a aventura mesmo estava no trajeto, porque evitar a lama era apenas um pretexto para entrar no banhado.
Eis que o tempo passa, e o que ficou na lembrança foram as aventuras na lama, e não necessariamente as vezes que se obteve sucesso saindo limpo do outro lado. Ensinamento que me acompanha pelo tempo e me faz entender que, o que marca a nossa memória nem sempre são as vitórias, mas sim as quantas vezes que foram necessários vencer a lama e continuar escolhendo lugares onde pisar.
No campo minado, das guerras, o tempo é um vilão, e não permite pensar, apenas correr, instintivamente. No campo minado da minha infância – o banhado – o tempo se fez vilão, mas de uma forma diferente, me fazendo crescer e ver que essas aventuras ficaram no passado, e as crianças de hoje já nem sabem mais brincar.
Entretanto vivemos o grande desafio dos dias de hoje em saber qual caminho seguir, em quem confiar, quando parar… Nem sempre encontramos outro aventureiro que estenda a mão para nos tirar do atoleiro, e muitas vezes não paramos para pensar no quanto é importante viver o trajeto. Corremos como na guerra, sem pensar onde alguém já pisou, para lhe seguir o exemplo.
Em tempos em que a vida se faz “campo minado” é sábio agirmos como crianças. Viver a aventura, estender as mãos, e sujar os pés, mas sair do outro lado sorridente.


