Por Jácson Lusa | Tradicionalista, poeta, pesquisador, comunicador de rádio e cursando bacharelado em Administração
Eu tinha por volta de sete anos quando comecei a fazer versos. Na minha época, isso lá no início da década de 90, as crianças iniciavam o processo de alfabetização com 7 anos de idade.
Desde que comecei a acolherar uma letra com outra parecia que a vida ganhava sentido nas pequenas palavras que se formavam. Depois comecei a ler, e essa foi uma das descobertas mais lindas que já vivi. Descobrir que as palavras juntas se transformavam em textos, poemas, livros, histórias, era como se o mundo estivesse pronto para me contar tudo de si. Por falar em livros, eu fui um devorador de livros nessa fase de aprendizado. Lia tudo que vinha pela frente, mas poesias sempre foram minhas leituras preferidas.
Na poesia eu percebi que as palavras se juntavam não apenas para contar algo, não apenas para descrever lugares, mas era como se elas fizessem tudo isso em forma de dança. Parecia que as letras se juntavam, as palavras davam-se às mãos, e uma dança síncrona surgisse com cuidado em cada detalhe. A poesia não quer apenas contar, narrar, descrever, ela quer convidar o leitor a decifrar as coisas não ditas, os sentimentos que ficam depois do horizonte onde as palavras não puderam contar. A poesia consegue trazer em uma frase o que alguns textos precisariam de páginas para descrever.
Talvez por isso, é que tanto quem escreve, quanto quem lê, precisam estar inspirados, precisam estar em sintonia e, aí sim, um texto por mais simples que seja, se torna poesia, e esta, poderá levar a viagens longas que nem o tempo pode limitar.
A vida vai aprimorando a forma de escrever, vai ensinando a forma de compreender e com a maturidade tanto o escritor, quanto o leitor, vai transformando a escrita e a leitura em algo muito sutil, criterioso e porque não dizer, muito pessoal. Com o passar do tempo não é qualquer livro que nos chama a atenção, e também não é qualquer palavra que vai para o papel.
Na minha infância eu escrevia até cinco poemas por dia, hoje em dia talvez uns cinco por ano. Enquanto meus primeiros poemas só tivessem preocupação em serem rimados, hoje meus poemas são carregados de sentimentos e emoções que muitas vezes as palavras só uma poesia teria condições de guardar.
Viver também é como escrever poesia. Ou como ler poemas… Há fases na vida em que existe uma sede de devorar livros, de gastar as palavras, de correr, de esgotar a mente e o corpo. Porém já fases em que a nossa mente requer calma, reflexão, paz, e tranquilidade, para que quando vier uma inspiração, ela se transforme em uma poesia que faça sentindo para quando alguém, com inspiração semelhante, possa encontrar vida e sentido na hora da leitura.
Que a leitura ou a escrita de hoje seja um momento de aventura, que não canse, mas que mate a sede de sua mente.


