Por Samira José Turconi |Bioquímica, sócia-fundadora da Associação Médico-Espírita da Serra Gaúcha, do Centro Espírita Allan Kardec e expositora da Doutrina Espírita.
A palavra Páscoa quer dizer Passageme simboliza a libertação do povohebreuda escravidãosofrida durante séculos no Egito. Os cristãos comemoram a libertação na passagem de Jesus Cristo através da morte e celebram a continuidade da vida.
Jesus, quando esteve encarnado na Terra, trouxe uma mensagem totalmente inovadora, anunciando o Reino de Deus, mostrando o caminho para esse reino através do arrependimento, do perdão e da caridade. Sua mensagem também nos fez compreender que há a necessidade da mudança de atitudes através da Lei maior: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.”(Lucas 10:27) Mas para aquele povo ainda tão materialista e primitivo foi difícil aceitar um novo Messias manso e pacífico, quando esperava um líder guerreiro e libertador da escravidão. Os governantes da época temeram ser ele um revolucionário que ameaçaria o poder por eles constituído. Por esses motivos, Jesus foi condenado à morte, crucificado, maneira pela qual os criminosos eram executados pelos romanos.
Como o ser mais puro e perfeito que já esteve no planeta, modelo e guia para a Humanidade, Jesus não derrogou as Leis Divinas. Ele libertou-se através da passagem da morte, passagem esta que foi feita do mundo material para o mundo espiritual.
A Páscoa dos cristãos é a Páscoa da ressurreição, pois Jesus reapareceu em espírito – não em corpo material – aos apóstolos e a várias pessoas. A sua doutrina de amor, exemplificada em todos os seus atos, veio nos mostrar o caminho para a verdadeira felicidade. Desse modo, ele comprovou a existência do espírito, bem como a sua sobrevivência após a morte física e incentivou a continuidade da divulgação de sua mensagem. Assim, o espiritismo nos mostra a necessidade não de comemorarmos a Páscoa, mas de compreendermos a Páscoa, de compreendermos o fundamento da ressurreição, como fundamento mais importante do Cristianismo. Enquanto se admitiu, nas outras denominações cristãs que o problema fundamental foi o sacrifício de Jesus, junto à cruz, no Espiritismo consideramos outro ponto de vista: que o fundamental foi a ressurreição de Jesus, demonstrando a imortalidade da alma. Quando morremos, nós passamos para outra a vida, e vivemos a vida do Espírito imortal.
A Páscoa comprova o que Jesus, o Cristo de Deus, veio nos ensinar: que a morte não existe para o Espírito; que este sobrevive à morte do corpo físico. A Páscoa significa que todos nós teremos que fazer a passagem da vida material para a vida espiritual; que teremos que deixar o corpo de carne e ressurgir novamente, em outro corpo físico para continuarmos o nosso progresso moral, conforme asseverou Jesus: “Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo.” (S.João, Cap. III). Com essa compreensão, a Páscoa é a grande e última lição de Jesus encarnado no plano físico, como vitória da vida sobre a morte e na certeza da reencarnação como explicação para todas as dores e para a almejada felicidade humana. Aproveitemos esses dias que antecedem a Páscoa, como momentos de reflexão do compromisso com os ensinamentos do mestre, a fim de que cada um realize dentro de si o reino de paz e amor.


