Por Jácson Lusa | Tradicionalista, poeta, pesquisador, comunicador de rádio e cursando bacharelado em Administração
Minha infância foi marcada, também, pela responsabilidade, a mim atribuída, de cuidar de outras crianças menores. Meus primos, no caso, eram as crianças pelas quais eu deveria zelar enquanto meus tios trabalhavam. Nesses tempos era muito comum que irmãos mais velhos, ou primos, cuidassem das crianças menores, pois o trabalho na lavoura ou mesmo das casas exigiam muito dos adultos. Nem todos os pais tinham alguma criança maior para lhes ajudar, e em muitos casos se ouvia relatos de que levavam seus filhos pequenos para a roça e os deixavam em uma sombra para que pudessem trabalhar.
Obviamente que essa dedicação necessária ao serviço impedia que muitos adultos dedicassem tempo para brincar ou até mesmo para desenvolverem brinquedos para as crianças, e essa mesma necessidade fazia com que muitas crianças de 7 anos em diante trocassem os momentos de brincadeira por trabalho na roça ao lado dos pais. Eu mesmo comecei muito cedo a trabalhar na roça para ajudar.
No último sábado finalizei uma casinha de boneca que fiz para a Cecília, minha filha caçula. Há tempo que guardava alguns paletes, mais algumas chapas de compensados que foram descartados, e ao guardá-los já tinha em mente de fazer uma casinha para ela brincar. Foram dois finais de semana serrando, plainando, lixando e montando. No sábado eu me esforcei para finalizar a casinha antes do anoitecer pois já criava cenas na minha mente, com ela olhando pela janelinha, e brincando dentro da casinha.
Dito e feito! Assim que a casinha ficou pronta pude observar, emocionado, um rostinho sorridente me espiando na janela. Aquele sorriso que demonstra alegria, inocência e que encheu meus olhos de alegria e emoção. Agradeci a Deus por cada minuto empenhado na construção dessa casinha. Logo ela será apenas uma casinha e minha filha nem caberá mais nela, mas as memórias que serão construídas nela jamais se apagarão. Só aquele sorriso que ganhei já paga qualquer esforço.
Depois me pus a refletir sobre como custa pouco para gente fazer algo por nossos filhos. Não precisa de algo mirabolante ou grandes investimentos, pois no coração de uma criança, onde habita a inocência, não importa se a casinha é de madeira reciclada ou se é de um arquiteto famoso. A casinha da Cecilia nem foi pintada ainda e já entregou alegria pra ela. Minha imaginação já está escolhendo os tons de rosa para pintar a construção.
Que nessa Páscoa possamos compreender que o mundo é como a casinha da Cecília, feita com carinho e cuidado por um Pai que sonha com um sorriso inocente. E que possamos ser um pouco criança para observar na simplicidade as grandes obras do Pai e olhando para o Céu possamos entregar um sorriso igual ao da Cecília. Feliz Páscoa a todos e que Jesus habite o coração de cada um.


