Por Frei Aldo Colombo
A palavra epitáfio vem do grego e significa, literalmente, “sobre o túmulo” A literatura reserva grandes espaços para os epitáfios dos homens célebres, sugeridos por eles ou determinados pelos que ficaram. Como os túmulos, os epitáfios se constituem no último sinal da vaidade dos mortais. Há os que, não podendo vencer a morte, tratam de brincar com ela.
O chileno Pablo Neruda – Prêmio Nobel de literatura – recomendou: digam que fui um combatente da liberdade. No túmulo de Karl Marx foi colocada uma síntese de sua cruzada: Proletários de todo o mundo, uni-vos! O norte-americano Groucho Marx continuou fazendo humor na sepultura: Perdoem-me se não levanto. Frank Sinatra determinou sua legenda mortuária: O melhor está para vir. O filósofo espanhol Miguel de Unamuno mandou colocar uma prece: Que Deus tenha piedade deste a pecador. No mausoléu dos 300 espartanos mortos nas Termópilas figura a frase: Digam a Esparta que morremos cumprindo o dever.
Uma frase realista fi gurou muitas vezes nos cemitérios romanos: Hodie mihi, cras tibi, ou seja, hoje sou eu, amanhã você. É de supor que foi à beira da primeira sepultura – sem epitáfio – que o homem tentou as primeiras respostas no campo da filosofi a e da religião. Quem sou, de onde venho, para onde vou?
O silêncio da morte questiona a vida. Existe em nós a ânsia de viver para sempre. A filosofia não responde a estas perguntas. O imortal dramaturgo inglês, William Shakespeare, fica perplexo: depois da morte o silêncio, depois da morte o mistério.
A Fé tem respostas para todas estas questões: depois da morte, a Vida. Depois da vida, a Casa do Pai. Mesmo assim nos adverte: com a morte torna-se definitivo nosso projeto de vida. O futebol ilustra a mensagem: quando o juiz assinala o fim do jogo, vale o resultado de campo.
A mais valiosa moeda que possuímos é o Tempo. Com ele construímos a Eternidade. Uma perigosa tentação é deixar para amanhã. O dia de amanhã é apenas uma hipótese. O tempo de Deus – e nosso também – é hoje. Discípulo de Paulo Freire, Sérgio Cortella nos alerta: não espere pelo epitáfio. O túmulo e o epitáfio são coisas sem valor. Para eternidade levamos apenas nosso Projeto de Vida. No túmulo de Cazuza, morto em 1990, está escrito: O tempo não para. Ele não está aqui, explicaram os Anjos diante do túmulo vazio de Cristo.


