Por Samira José Turconi
Educar é criar hábitos saudáveis. Portanto, a Doutrina Espírita, fundamentalmente educadora, exerce um papel essencial na transformação da sociedade, porque propõe a construção, através da educação, do indivíduo que forma essa sociedade. Nossos filhos são Espíritos, nos lembra Hermínio Miranda, portanto trazem tendências e características que ultrapassam os limites da leitura psicológica. Estamos vivendo num mundo de transição, numa época de perturbação e esvaziamento de valores espirituais. A família é o lugar por excelência, onde seremos convidados a colaborar praticando a lei do amor de forma mais intensa e desafiadora. Somos convidados a aprender e exercitar o amor na convivência conjugal, maternal, paternal, filial, fraternal etc. Toda a família surge da união de dois seres, que, através da união conjugal, irão assumir, na função de pai e mãe, o convite de Deus para serem co-criadores, recebendo um ou mais irmãos em Humanidade, filhos de Deus, que serão, momentaneamente, filhos deste casal. A partir desta união, cada cônjuge colabora com o outro para a harmonia da relação conjugal, para que possam receber os filhos (irmãos em humanidade) e colaborarem com Deus na condução destes Espíritos, reencarnados através de si, para o caminho do Bem.
Hoje o que vemos é ausência total dos pais diante da orientação para seus filhos, crianças e adolescentes: ausência de hierarquia, ausência de limites, ausência de comunicação, ausência de disponibilidade dos pais em ouvirem seus filhos, em tocá-los, em reconhecê-los e em amá-los. Os jovens confusos já não percebem mais o significado da vida. Educar, em latim significa conduzir e em grego, dirigir. Portanto, quem se propõe a educar, propõe-se, portanto, a orientar, a dirigir, a conduzir alguém.
A violência, os vícios, o desregramento e a sexualidade irresponsável vêm causando inúmeros malefícios à nossa juventude. Tomados pelo corre-corre do dia e pelas cobranças no trabalho, os genitores se esquecem do diálogo, do amor e da tolerância. É tolice tentar proibir os filhos de terem contato com o mal que assola o mundo. O essencial é prepará-los para enfrentar o mundo; pois, quando adultos, terão forças e serão capazes de vencer as dificuldades e os problemas que os perturbarem. Mas, a compreensão, o diálogo fraterno somente é compatível com os pais que verdadeiramente amam seus filhos. A evangelização deve ser feita aos pais, pois, assim eles conseguirão formar os caracteres de bons hábitos em seus filhos.
É, em O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, no Cap. XIV, que iremos encontrar a fala de Santo Agostinho a nos lembrar a importância dos pais na vida dos seus filhos. Os filhos não vêm a nós “por acaso”, o lar é o local dos reencontros espirituais, planejados e necessários. Auxiliemos a estes Espíritos, hoje, nossos filhos; sejamos referência saudável para eles e com certeza um mundo mais harmônico e feliz estaremos ajudando a construir.


