Por Frei Aldo Colombo
Um homem muito piedoso recebeu um dia um aviso de Deus. Dentro de algumas semanas haveria uma grande enchente, mas ele poderia ficar tranquilo, apesar dos perigos, sua vida seria poupada. Alguns dias depois, começou a chover, os regatos transformaram-se em rios e os rios, barrentos e impetuosos, invadiram cidade e campanha. As autoridades alertaram a população: todos deviam abandonar o local.
Nosso homem ficou tranquilo e o máximo que fez foi subir ao segundo andar da casa. Ele ignorou os avisos das autoridades, pois Deus iria salvá-lo. Cheio de confiança, não aceitou a ajuda dos bombeiros, mesmo quando apenas parte do telhado de sua casa ainda aparecia. A paisagem se transformara num imenso lago e um helicóptero tentava salvar os ilhados. Nosso homem dispensou o helicóptero: que fosse salvar outras vidas que corriam perigo. Este não era seu caso.
Naquela mesma noite morreu afogado e, porque era uma pessoa de bem, foi acolhido no céu. Embora agradecido pela recompensa do céu, na primeira oportunidade, queixou-se a Deus. Ele não havia cumprido sua promessa. Com bondade, Deus explicou: pedi às autoridades te alertassem do perigo. Depois mandei os bombeiros até tua residência, mas você não aceitou. No último momento, determinei que um helicóptero fosse te salvar. Você permaneceu inflexível e a morte foi inevitável.
Esta história se repete na vida real, com duas derivações: os auto suficientes e os ingênuos. O auto suficiente não escuta ninguém e o ingênuo espera que Deus faça o que ele mesmo deveria fazer. São pessoas que rezam bastante, mas não tomam iniciativas.
Deus não é a desculpa para preguiçosos. Só depois de fazer tudo o que está ao nosso alcance, temos o direito de pedir a Deus. Auxílio divino vem depois que nossas forças terminam. Na Bíblia encontramos a figura dos Anjos que nos protegem a pedido de Deus. Vivemos em comunidade e, muitas vezes, são nossos irmãos e irmãs que se colocam a serviço de Deus protegendo-nos das enchentes e de todas adversidades.
A vocação cristã é comunitária e, muitas vezes, os irmãos enxergam melhor nossos problemas e indicam soluções. O amor providente de Deus, quase sempre, passa pelos irmãos. E lembre: não estava chovendo quando Noé começou a construir a Arca.


