Por Samira José Turconi
A disseminação de novas tecnologias de informação e comunicação traz novas potencialidades aos processos sociais, mas também novos desafios. Quem nunca se sentiu sobrecarregado de compromissos e incapaz de lidar com tantas coisas ao mesmo tempo? Quem nunca quis jogar tudo fora e fugir para uma ilha deserta? Neste exato momento, milhões de pessoas sofrem os efeitos da ansiedade, do estresse e da depressão, problemas cada vez mais comuns neste mundo louco, exigente e confuso. Para a sociedade atormentada em que vivemos,
os valores materiais vêm em primeiro lugar. Essa busca de uma razão para viver, puramente, materialista tem produzido o que a medicina e a psicologia modernas denominam de “doenças de sentido”.
A ansiedade vem se transformando em um dos maiores inimigos do homem contemporâneo. É verdade que a ansiedade é natural e necessária, no entanto, quando exagerada torna-se causa de muitas enfermidades e decisões impulsivas, requerendo, muitas vezes, séculos para a devida reparação do Espírito. A ausência de serenidade para enfrentar os desafios, faz que o comportamento do indivíduo se torne doentio, cheio de expectativas, normalmente perturbadoras, gerando incapacidade e ação desequilibrada e às vezes originando obsessões espirituais.
Na turbulência comportamental, os ansiosos tornam-se, frequentemente, exigentes e preconceituosos, agressivos e violentos, desejosos de impor a sua vontade contra a ordem estabelecida ou aquilo que consideram como errado e carente de reparação. Estressando-se com facilidade, em razão da falta de autoconfiança e de harmonia interna, a pessoa tende a padecer transtornos depressivos.
Como consequência disso, os Transtornos de Ansiedade são a terceira causa dos afastamentos profissionais no país. Sim, transtorno de ansiedade é uma doença e precisa ser tratada tal qual qualquer uma outra. Ansiedade, em conceituação ampla, pode ser definida como um estado de tensão e alerta diante de determinada situação, seja esta, real ou imaginária. Os motivos que desencadeiam o sentimento de ansiedade podem estar relacionados a eventos que ainda vão acontecer, ou podem habitar somente a mente do indivíduo, com a possibilidade de que os fatos nunca venham a ocorrer. As causas relacionadas à ansiedade são fatores genéticos e estilo de vida. Entre os agentes compreendidos pelo estilo de vida do indivíduo estão: consumismo exagerado, vida agitada, pressão por resultados (profissionais ou familiares) e estresse. Nesses quadros psicológicos é muito comum a instalação da obsessão espiritual. Desta maneira, ao lado do transtorno mental ocorre uma enfermidade espiritual. Ao reflexionarmos sobre esse assunto vemos como é necessário, e até imperioso, produzirmos mudanças em nossas vidas, principalmente no que diz respeito a selecionarmos o que realmente é importante na nossa caminhada evolutiva. Vamos pensar a respeito. Em qualquer circunstância devemos trabalhar a mente para que mantenhamos a serenidade. Dessa forma, não sofreremos antecipadamente por algo que poderá nem acontecer. Mesmo que a vida nos acene com acontecimentos desagradáveis, na área da saúde, da afetividade, das relações familiares e profissionais, mantenhamos acesa a chama da esperança, entregando a Deus as nossas aflições. Jesus, psicólogo inigualável, conhecedor dos efeitos nocivos da ansiedade, advertia: “não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” Não quis Jesus ensinar que devêssemos ser negligentes com relação ao futuro; no entanto, convidou-nos a vencer a inquietação, a preocupação exagerada, ou seja, a ansiedade.


