Por Frei Aldo Colombo
O mercado está cheio de receitas milagrosas para todas as situações. Prometem o bem-estar, prometem a felicidade, mas não a entregam. E as promessas enganosas nos fazem esquecer velhas soluções que não custam nada. E não têm contra indicações. Estamos falando do velho e conhecido abraço. Todas as maravilhas que se diziam dele acabam de ser comprovadas pela Universidade de Viena. Ele atua na alma e no corpo, melhora nosso psiquismo e nossa alegria de viver.
Os especialistas dizem que uma média aceitável é de 12 abraços por dia. Este número pode ser superado sem qualquer prejuízo. Esta atitude tem efeito multiplicador, pois o abraço funciona em duas direções: quem abraça, recebe um abraço. As situações para um abraço são infinitas. É o abraço da mão para o bebê de poucos dias, é o abraço de dois irmãos que há tempo não se encontravam, é o esperado abraço de reconciliação, é o primeiro abraço e o abraço de despedida, é o abraço mágico dos amantes de qualquer idade, é o abraço por um triunfo conquistado, é o abraço para quem está triste, é o abraço por qualquer motivo. Ou mesmo sem motivo.
A pesquisa da Universidade de Viena aponta a força medicinal do abraço. Ele libera a oxitocina, o hormônio da felicidade, queima as enzimas negativas, reduz o estresse e a pressão arterial. O Evangelho fala do Pai que, ao ver o Filho Pródigo regressando, corre ao seu encontro e o abraça e cobre de beijos (Lc 15,20). O abraço nunca se repete, é sempre novo, com um significado sempre diferente. Pode significar: eu te peço perdão ou, eu te perdoo, pode significar um novo momento na vida dos dois, pode extinguir um abismo existente. O abraço sempre vem revestido de amor. Pode significar: eu te amarei para sempre, pode significar: você é maior do que o seu pecado.
É sempre um abraço no corpo e na alma, é um momento mágico que continuamos lembrando anos depois. É remédio milagroso, que não se encontra em farmácias, mas é elaborado no laboratório de um coração maduro e que se derrama no outro. Nada pede e tudo oferece. Nas primeiras páginas da Bíblia lemos que Deus criou o homem, à sua imagem e semelhança e soprou sobre ele. Ele o beijou, o abraçou. O beijo de Deus – o abraço – tem um nome próprio: é o Amor.


