Por Jácson Lusa | Tradicionalista, poeta, pesquisador, comunicador de rádio e cursando bacharelado em Administração
Na minha infância sempre foi vedada a oportunidade de as crianças participarem das conversas dos adultos. Era um sinal de respeito, educação e de obediência respeitar esse “mandamento”. Mas, escutar sim, e aprendi muito com meu pai, tanto com as palavras que ele usava nas conversas quanto nos seus silêncios.
Meu pai sempre foi contido em suas palavras e agora relembrando a sua forma de conversar percebo o quanto ele tomava cuidado em expressar sua opinião. Sempre foi assim, mas só agora depois de adulto é que fui refletir sobre isso.
Estou participando de um grupo de orações que se reúne todas as manhãs antes do clarear do dia e no nosso momento de oração matinal de hoje refletimos sobre o silêncio. Foi justamente isso que me fez lembrar de meu pai, de sua forma de falar menos e ouvir mais, e até de uma frase que ele falou quando eu ainda era menino: “em boca fechada não entra mosquito”.
Quando Jesus falava com o Pai, na maioria das vezes ele procurava ficar em algum lugar onde pudesse se colocar em silêncio, e a bíblia nos alerta em algumas passagens sobre a importância de tomar cuidado com as palavras que proferimos. Uma palavra que emitimos leva consigo a responsabilidade de darmos conta dela. Além disso, as palavras têm grande poder e, tanto podem ajudar alguém quanto ferir.
Lembrar do meu pai, de suas condutas e seus conselhos referente a isso, me fez voltar no tempo e, agora já sendo pai também, consigo entender, compreender e até defender a sua forma de agir. Quando pequeno não tinha vivência o suficiente para entender e muitas vezes condenava suas condutas comigo.
O tempo passa, e a gente precisa passar por muitos percalços para começar a entender por que um pai coloca certas regras de vida, passamos a entender também as muitas formas de um pai expressar amor por um filho.
Talvez por isso hoje, ao refletir sobre o silêncio, minha mente me levou direto aos momentos com meu pai, e entendi com isso, que quando buscamos o silêncio, é como se a vida nos colocasse na estrada certa rumo ao pai.
Indo mais além, quando nos colocamos em silêncio reflexivo, podemos nos conhecer melhor, podemos percorrer os caminhos da nossa essência e encontrar o melhor de nós para tomar decisões e para se conectar com o mundo e as pessoas.
Em um mundo cada vez mais barulhento, em todos os sentidos, quem tem o dom de encontrar o seu próprio silêncio está mais perto de encontrar a paz que precisa.


