Por Flávio Green Koff| Advogado com pós-graduação Lato Sensu em Gerente de Cidade – “City Manager”, pela Fundação Armando Álvares Penteado, concluída em 2002.
Há uma dimensão do tempo que não se mede em horas, mas em presenças. E, quando se fala em mães, essa medida se torna ainda mais profunda, porque elas não apenas vivem o tempo — elas o constroem, o sustentam e o entregam aos filhos como herança invisível de afeto, cuidado e dedicação.
Àquelas que hoje estão presentes, impõe-se o reconhecimento em vida — lúcido, consciente e necessário. Não se trata de um gesto protocolar, mas de um dever moral: valorizar, escutar, respeitar e retribuir, ainda que parcialmente, aquilo que jamais poderá ser integralmente devolvido. A presença materna é um patrimônio afetivo que, muitas vezes, só é compreendido em sua real dimensão quando já não está mais ao alcance.
E é nesse ponto que a saudade assume seu lugar inevitável. As que partiram, não se dirige apenas a lembrança, mas um sentimento mais complexo — uma mistura de ausência e permanência. Porque mães não desaparecem. Elas permanecem na formação do caráter, nas palavras repetidas sem perceber, nos valores incorporados e, sobretudo, na forma de amar que ensinam sem discurso.
A saudade de uma mãe não é apenas dor; é também testemunho de tudo o que foi vivido. É memória que insiste, presença que resiste e vínculo que não se rompe com a morte. Ao contrário, transforma-se em referência silenciosa, que continua orientando decisões, sustentando momentos difíceis e inspirando caminhos.
Assim, às mães presentes, que se diga hoje, com clareza, aquilo que muitas vezes é adiado: o valor que possuem, o impacto que causam e a importância que carregam. E às mães que já partiram, que se registre, com respeito e profundidade, que não foram esquecidas — permanecem vivas naquilo que deixaram de mais essencial: o legado humano.
Porque, em última análise, uma mãe nunca deixa de existir. Ela apenas muda de lugar — sai da convivência diária e passa a habitar definitivamente a memória, o caráter e o coração de quem teve o privilégio de chamá-la assim.
Enfim, há um tipo de silêncio que só existe depois da ausência de uma mãe. Um silêncio que não é vazio, mas preenchido por tudo aquilo que ela representou. Recordar a mãe é, ao mesmo tempo, revisitar o amor mais puro e confrontar a ausência mais definitiva. Saudades.



