Por Flávio Green Koff
Na mais recente operação conjunta das polícias estaduais e federais nas favelas do Rio de Janeiro, resultante de uma invasão de grande porte, vieram a óbito 121 pessoas — entre elas quatro agentes de segurança — além de diversos feridos. O episódio expõe dramaticamente o colapso da ação estatal de controle e repressão ao crime organizado, especialmente no contexto de comunidades dominadas por facções como o Comando Vermelho.
Essa realidade ainda se agrava com a intervenção da Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da chamada ADPF 635 — medida que, embora voltada à proteção de direitos humanos, acabou por criar limites operacionais às forças policiais nas favelas.
Não se trata de fazer juízo sobre o mérito da ADPF 635, mas de observar o fato inconteste de que, segundo análises especializadas, as restrições às operações contribuíram para um período de vácuo de segurança nas favelas do Rio, durante o qual o Comando Vermelho e outras organizações criminalizaram a ocupação territorial e dispersaram armamento pesado. Entre ela, outras organizações com raízes em quase todo Brasil.
Neste contexto, a operação recente — ainda que represente uma reação estatal — deixa claro que a repressão tardia e massiva gera baixas catastróficas e não substitui política de presença permanente, integração social e controle institucional que deveriam ter sido exercidos ao longo dos anos.
A morte de quatro policiais demonstra que não se trata apenas de vidas alheias, mas de agentes do Estado que pagaram com seu sangue a falência desta política.
Em última análise, a sociedade carioca e brasileira exige respostas: reforma ampla da segurança pública, controle real sobre operações policiais, compromisso efetivo com direitos humanos e ocupação estatal permanente das áreas vulneráveis. A tragédia das 121 mortes e dos agentes tombados não pode ficar como mais um dado estatístico. Deve impulsionar mudança estrutural.


