Por Flávio Green Koff
Não podia findar este ano sem me manifestar, também, em nome da legalidade constitucional e da dignidade da pessoa humana, impõe-se a reflexão sobre a manutenção de prisões que se revelam desproporcionais e dissociadas do devido processo legal. A privação da liberdade, medida extrema no Estado Democrático de Direito, somente se legitima quando estritamente necessária, fundada em decisão motivada, com observância do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.
Enfim, ao aproximar-se o encerramento de mais um ciclo, o tempo convida à contemplação serena do caminho percorrido. O ano que se despede deixa marcas sutis, feitas de encontros, desafios superados e aprendizados silenciosos, que, somados, constroem a essência do que se é e do que se projeta para o futuro.
Há, neste momento de transição, um romantismo próprio das despedidas: não o da melancolia estéril, mas o da gratidão consciente. Gratidão pelos gestos simples que sustentaram os dias difíceis, pelas palavras que confortaram, pelos afetos que permaneceram mesmo quando o ritmo da vida impôs distância. Cada experiência, favorável ou adversa, cumpriu seu papel pedagógico, revelando que o crescimento raramente ocorre sem esforço, e que a esperança se fortalece justamente quando é posta à prova.
O novo ano apresenta-se como promessa e possibilidade. Não se trata de idealizar caminhos perfeitos, mas de reconhecer a capacidade humana de reconstruir, recomeçar e aperfeiçoar. Que haja mais diálogo, mais empatia e mais coragem para escolher o que aproxima, em detrimento do que divide. Que os projetos sejam guiados pela sensatez, mas também pela sensibilidade, pois é nesse equilíbrio que florescem as conquistas duradouras.
Assim, encerra-se o ano com agradecimento sincero e abre-se o próximo com expectativas firmes e positivas. Que o tempo vindouro seja generoso em oportunidades, sólido em valores e inspirador em afetos, permitindo que cada passo seja dado com propósito, serenidade e confiança no porvir.


