Por Jácson Lusa | Tradicionalista, poeta, pesquisador, comunicador de rádio e cursando bacharelado em Administração
Passei minha infância toda criando referências pessoais, pessoas que eu almejava ser quando crescesse devido a admiração e respeito que tinha por eles. Creio que toda criança que se identifica com algum adulto acaba criando uma imagem heroína dessa pessoa e naturalmente nasce o desejo de ser parecido com ela.
O tempo passou, me fez adulto e alguns dos meus “heróis” ou “exemplos” já estão velhinhos, alguns já não estão mais nesse plano e eu percebo que o fato de observá-los ajudou a formar o meu caráter, a minha conduta e de certa forma me inspirou a ser melhor.
Nessa semana estava conversando com meu filho Martín Fierro, e ao ouvi-lo me passou um verdadeiro filme na mente. Meu filho que hoje está com 10 anos parece já ter 15 pelas conversas que tem comigo. Nessa conversa ele comentava sobre algumas pessoas que poderiam ser seus possíveis padrinhos de crisma. Enquanto ele falava de algumas pessoas, surgiu como um dos possíveis padrinhos o nome do meu colega de trabalho. Esse rapaz trabalha em São Luiz do Maranhão e há mais ou menos um ano conheceu o Martín em uma chamada de vídeo. A partir dessa conversa percebi que nasceu uma admiração muito grande do Martin pelo Hildênio.
Há um mês o Martín teve a oportunidade de conhecer esse meu colega pessoalmente e nessa oportunidade os dois conversaram bastante e certamente foi depois dessa conversa que despertou nele essa ideia de que ele seja um provável candidato a padrinho.
Depois disso me coloquei a pensar sobre como impactamos as pessoas, principalmente as crianças com nossa conduta de vida, nossos gestos de acolhimento e atenção. Muitas vezes não nos damos conta de que estamos sendo um exemplo para pessoas que nem imaginamos. Isso além de inspirador é uma responsabilidade, pois de alguma forma aquilo que praticamos pode se tornar algo de bom, se for visto como positivo, ou poderá se tornar traumas e bloqueios se for visto como negativo.
Será que a forma como conduzo a minha vida é tão inspiradora a ponto de alguma criança pensar em me chamar para padrinho? Ou será que vivo de tal forma que as crianças não querem estar por perto? As crianças são o melhor termômetro para essa auto avaliação, pois no coração de uma criança além da inocência, habita a transparência. Dificilmente uma criança se esforçará para gostar de alguém, ou ela gosta ou não gosta.
Que sejamos dignos de sermos exemplos para as crianças, pois a nossa sociedade está cada vez mais carente de exemplos para nossos filhos se espelharem. Há uma escassez de heróis de verdade, e como diz a música “Faz de Conta” do saudoso César passarinho:
“Homens de um tempo sem medo
Para exemplo nos brinquedos
Que a vida deixou passar…
E o piá de estância de agora
Já não tem a quem copiar”



