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CRÔNICAS COLONIAIS 

Por João Paulo Deluca| Historiador, radialista e colono de apartamento

E a Colônia venceu


Olá pessoal! Tudo bem com vocês?

Talvez alguns já me conheçam da Rádio Garibaldi (e sim, eu continuo por lá também), e outros tantos, mais consumidores de letras do que de sons, estejam me conhecendo agora. Então, permitam que eu me apresente. Sou João Paulo Deluca, historiador de formação, comunicador por ofício e paixão, e a partir deste 6 de março, também colunista deste quase cinquentenário Jornal Novo Tempo.

Antes de falar do tema desta coluna, que vai nos guiar pelos próximos anos (ao menos é o que espero), me permitam falar um pouco sobre minha paixão por escrever, que andava hibernando já há alguns anos. Antes de ser um comunicador com a voz, fui um comunicador com as letras. Afinal, meu primeiro emprego foi no já distante ano de 2003, no Jornal Folha Popular, de Teutônia, cuja sucursal garibaldense ficava em cima da Rodoviária. Ali, com 18 anos, passei a tratar como trabalho algo que já tinha como hobby desde os 4 anos: escrever. Sim, com 4 anos já juntava letras e consoantes, formava sons, palavras, frases e textos. Isso me guiou durante a infância e adolescência. Depois, com a chegada da vida adulta, os textos passaram a fazer parte de minha vida profissional. Claro que, com o passar do tempo, alguns hobbies, desejos e planos acabam se perdendo no caminho, ou ao menos adormecendo num longo inverno.

Pois essa vontade de escrever, que esteve esfriada já há algum tempo pelas circunstâncias da vida e da rotina, voltou à tona há alguns anos, com o convite do amigo Cassius André Fanti para colaborar no livro dos 80 anos da Cooperativa Cairu. No ano passado, veio o primeiro projeto “solo”, com o livro dos 50 anos do Cursilho da Cristandade de Garibaldi. Isso, é claro, sem falar nas escritas diárias dos textos jornalísticos da Rádio Garibaldi.

Minha paixão, porém, era uma escrita literária, quase fantasiosa. E quando, em conversa com o nobre Fernando Portinho, veio a possibilidade de colaborar com o Novo Tempo, não tive dúvidas: tirei a vergonha da frente, e com a maior cara de pau que esses 40 anos possam carregar, pedi sem titubear: “Portinho, e se eu tivesse uma coluna?” A resposta positiva, que veio na hora, voltou a colocar combustível naquela chama quase adormecida.

É aí que chegamos ao tema deste texto e ao título do espaço. Carrego comigo muitas memórias de infância e adolescência da época de Colônia, em que morei até aos 18 anos na querida Marcorama, Capital do Mundo, e onde até hoje vivem meus familiares. Assim como eu, tenho certeza que muitos que hoje estão lendo esse texto também carregam estas lembranças. A maioria delas, porém, está presa na mente, sem ser compartilhada, por uma série de motivos. Um dos principais, ao meu ver, é duro, mas é real: a “vergonha” que até algumas décadas muitos tinham em ser colono. Isso se deve a diversos fatores. Vai desde uma vergonha psicológica, intrínseca, resultante da proibição na década de 40 de se falar o talian por aqui, devido à II Guerra Mundial, até um sentimento de zombaria que algumas pessoas sofriam ao chegar na “cidade”. Este mesmo que vos escreve, por diversas vezes, sofreu bulling no Ensino Médio devido ao meu sotaque. E isso que estamos falando de início dos anos 2000. Imaginem há décadas atrás…

Felizmente, isso mudou, e mudou muito. Hoje, os moradores do interior falam com o maior orgulho do mundo que são colonos. A melhora da qualidade de vida, a aproximação do interior com a cidade e até mesmo os “influenciadores da Colônia” contribuíram para para esse resgate da autoestima. Autoestima, aliás, que nunca deveria ter saído de cena. Mas águas passadas não movem moinhos, então olhemos apenas para a frente.

A partir de agora, convido você a me acompanhar nessa viagem para falarmos da Colônia do jeito que ela sempre deveria ser tratada: com alegria, orgulho e entusiasmo, além de uma pitada de nostalgia. Então, separe aquela xícara de porcelana da nona para o café, ou o bitcheróto do nono para o dos vinho e venha comigo para falarmos de tudo: dos bois de canga ao trator, dos alambiques aos salames, do capim-elefante aos marimbondos. Afinal, a Colônia venceu. Demo via?

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