Por Samira José Turconi
A morte dos seres queridos tem o poder de transformar os sentimentos humanos. Evidentemente, o fenômeno da morte, ou desencarnação, ainda provoca no mundo incomensuráveis procedimentos, que costumam paralisar a pessoa principalmente quando ela, não dispondo dos conhecimentos da imortalidade, imagina que a morte seja o fim absoluto da querida convivência dos que se prezam, dos que se amam. A educação para a morte não é nenhuma forma de preparação religiosa para a conquista do Céu. É um processo educacional que tende a ajustar os educandos à realidade da vida, que não consiste apenas no viver, mas também no existir e no transcender. A morte não é uma opção, nem uma possibilidade, é uma certeza. Quando o Júri de Atenas condenou Sócrates à morte, ao invés de lhe dar um prêmio; sua mulher correu aflita para a prisão, gritando-lhe: “Sócrates, os Juízes te condenaram à morte”. O filósofo respondeu calmamente: “Eles também já estão condenados”. A mulher insistiu no seu desespero: “Mas é uma sentença injusta!” E ele perguntou: “Preferias que fosse justa?” A serenidade de Sócrates era produto de um processo educacional.
O temor da morte está muito ligado à impressão que nós conservamos do ensinamento que nos foi dado pela religião tradicional de que o quadro da morte não é nem muito bonito nem muito consolador. De um lado veem-se contorções dos condenados a penas eternas que expiam em torturas nas chamas sem fim, seus erros de um momento. De outro lado as almas lânguidas sofredoras do purgatório esperando a sua libertação na boa vontade dos vivos que oram e façam orar por elas, e não dos seus esforços para progredirem. Segundo a religião tradicional, estas duas categorias compõem a imensa maioria da população do “outro” mundo. Acima deste plano, e muito restrito aos eleitos, gozando de uma felicidade contemplativa, por toda a eternidade, os escolhidos do céu. O Espiritismo nos diz que não ocorre assim. Explica que nós nos localizaremos, no mundo espiritual, conforme o nosso grau evolutivo e que só dependerá do nosso esforço a melhoria de nossa situação.
Na Educação para a Morte, o importante é mostrar que a vida é o caminho da morte, mas que a não é o fim da existência humana, pois esta prossegue nos diversos planos espirituais do universo, conforme disse Jesus: “Há muitas moradas na casa de meu Pai”. O conhecimento adquirido sobre as condições da vida futura exerce grande influência em nossos últimos momentos, dá-nos mais segurança e abrevia a separação da alma. A Doutrina Espírita nos explica sobre a Imortalidade da Vida e nos consola comprovando que quem morre, não morre, apenas muda de endereço. Portanto, oremos pelos nossos entes queridos que já moram no Mundo Espiritual e tenhamos a certeza de que, em algum dia, estaremos juntos novamente.


